segunda-feira, 20 de julho de 2009

Memória


Sento-me naquela rocha encantada da praia bem de frente para o mar, que vai dançando ao som da música que vai ecoando de dentro da minha guitarra. A lua observa, enorme ao longe, e ri de mim. Ri por saber que aquele arrepio que sinto na nuca é apenas o ar a deslocar-se em volta do meu pescoço. Ri por saber que toco para o horizonte, na tentativa de te chamar. Lá no fundo sei que não escutas. Tenho noção de que, talvez, nem queiras escutar. Mas continuo. Continuo apenas porque sei que não vale a pena continuar. A lua continuará a gozar-me. O vento continuará a iludir-me. E tu não virás até mim. Mas a conjugação de todas as sensações que passam por mim, encaminham-te à minha memória, onde te tenho como quero. Não passa de desejo. Não passa de mais um desejo que, com toda a certeza, não passará disso. Ainda assim sabe bem recordar. Sabe bem (re)sentir...