Não imaginei que fosse possível criar um monólogo com tantas perguntas e impressões arrancadas e atiradas ao ar, com tantas respostas e olhares que significam tudo mas não dizem nada. Tu chamas por mim nessa tua maneira única, surda, que me deixa a levitar com as mãos dormentes. Eu peço ao vento que te traga até mim, mas com palavras ambíguas em jeito de vergonha e receio. Porque quero que entendas, desejo que as sintas como unicamente tuas, só não sei se quero que ajas. Nem tu nem eu.
Porque enquanto monólogo é perfeito, deixa-me um brilho nos olhos que não se apaga, antes pelo contrário. Só aumenta a cada palavra tua que me chega de mansinho, sem tempo certo. E para mim é o que basta. É tudo.
És a minha realidade paralela.