sábado, 16 de junho de 2018
Premonição
Tomei como certa a minha segurança na tua liberdade.
Poderia ter tomado como certa a minha liberdade na tua segurança.
A conclusão passa por perder a segurança e a liberdade.
Um bloqueio constante por ter dificuldade em que coração e cabeça finalizem o acordo que estabeleceram.
Estou no limbo que quis para mim.
Não existo mais. Nem como sombra.
Não existo porque não sinto.
Nada.
Nada positivo ou negativo.
Total ausência constante daquilo que considero ser essencial para viver.
Mas vou adaptar-me. Porque vai valer a pena. Por isso sobrevivo, trazendo às costas um peso que só eu escolhi carregar, sabendo de antemão que iria crescer nestes moldes, maquinais, objectivos, pragmáticos.
Não tenho a consciência de ser amado, desejado, reconhecido, importante. Porque ser e sentir que sou são coisas diferentes. E da forma que a minha percepção está, duvido de tudo.
São precisas mudanças. E a conclusão dessas mudanças.
Até lá sou prisioneiro de mim mesmo e faço o que qualquer prisioneiro faz.
Aguardo impávido e sereno até que um pouco mais de maturidade me faça perceber que o amor é isto e que eu simplesmente estou bloqueado com a ideia porque nunca o havia sentido desta forma, com esta responsabilidade.
terça-feira, 12 de junho de 2018
Escrevo, passadas inúmeras vidas, porque finalmente encontrei sentido. O sentido é sentir. E, porra, o quão me preocupa que pouca gente queira sentir.
Apegamos-nos a coisas e não a seres. E valorizamos-nos, pessoas, como se valoriza um objecto. E não deveria, sequer, valorizar-se um objecto. Usamos-nos. Tocamos-nos. Fodemos-nos. Chupamos-nos.
No vácuo emocional.
É só físico.
Desinteressante.
E os loucos do mundo? Que procuram onde não se vê? Que procuram amar e ser amados? Que procuram mais do que mero instinto, aquela "cola" que nos faz sentir completos e distintos dos outros animais? Por onde andam?
Podemos já ter sofrido mil vidas, mas que, por favor, nunca nos neguemos ao amor uns pelos outros. Se somos mais psicológico do que físico, não nos limitemos apenas ao físico. É o mesmo que ficar a meio da jornada. Por medo do compromisso de continuar até onde o final possa ser, ou não. Não é fácil. Mas é cheio. Absoluto. Vibrante. E não é efémero.
Como homem, velho, gosto de ser o que fode, o que manda, mas gosto de ser o que beija depois, o que prepara o pequeno-almoço, o que está lá mesmo quando mostrares o pior de ti. Porque vou sempre observar-te com a mesma admiração de quem só vê e conhece o teu melhor. Porquê? Porque sei amar. E padeço de um mal de que me orgulho que é não saber dissociar a tesão do amor. Quanto mais amo e sou amado, mais desejo me habita o corpo. É mais do que sexo. Tão mais do que sexo.
Li isto que partilho aqui com ninguém.
Foram, provavelmente, as palavras mais certeiras que procurava exprimir e ainda não tinha encontrado.
E a merda é esta:
""Quer foder comigo?"
Sexo casual
é o novo modelo de relacionamento.
Uma mensagem,
Um olhar,
Algumas palavras e pronto!
O sexo ganhou um novo pseudónimo;
o aclamado: "foda".
Então prepare o preservativo
que a noite vai ser de prazer.
Mas a preservação não é só
por uma gravidez inesperada ou uma DST,
também nos preservamos
do compromisso,
do apego,
das cobranças
e também do AMOR.
É mais fácil tirar a roupa do que o sorriso.
Tocar corpo do que o coração.
Preferimos alguém pra comer em uma noite,
a alguém que fique para comer com a gente no café da manhã.
Estamos tão fragilizados com compromisso
que matamos o prazer enquanto a carência nos enterra.
Houve um tempo em que as pessoas
faziam amor, e eram felizes.
Mas hoje, elas fodem!!!
E talvez por isso exista pouca gente feliz
e tanta gente fodida."
Marcos Bulhões
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