sábado, 13 de agosto de 2016

Estes dias. Este mundo.

Por imenso tempo pensei que fosse eu. Tomara eu mais atenção ao que me rodeia. A quem me rodeia. O que há de errado com as pessoas? Os animais parecem ter mais traços de amabilidade e respeito do que as pessoas. São mais "humanos" que nós. Torná-mos-nos cínicos, exageradamente objectivos. Esquecemos os ideais, só vemos metas, passamos por cima de todos para alcança-las. Tratamos mal os nossos iguais, à priori. Pois tomamos como principio que também seremos mal tratados. O que é feito dos nossos valores, da ética? Pessoas que estão tão habituadas ao ódio e à hipocrisia que já só se sentem confortáveis, e gostam!, nesse turbilhão de emoções negativas, ao ponto de estranharem e rejeitarem um tratamento digno, respeituoso, afectuoso por parte de outro igual. E a ausência de sentimentos, que se vulgarizou, dando lugar a meras manifestações físicas, desinteressadas, demonstradas com a formalidade e a banalidade de quem pede um café e um cigarro num dia rotineiro no tasco da esquina. O mau e o agressivo tornaram-se norma quando? Quando perdemos nós a capacidade de amar e confiar e de o demonstrar a quem amamos? Sei que não estou sozinho neste plano de visualização. Mas, foda-se, sinto-me em extinção. Um pescador num mar de águas ácidas, a tentar colher emoções, frequências recíprocas, e somente a perder anzóis num fundo negro que só consegue morder linhas e guardá-las para sempre nas suas profundezas, devolvendo apenas o silêncio do rancor. Não desisto. Continuarei a dar. A aer desta forma. Pois o defeito não é meu. Eu só estou num mundo que já não conheço e lutarei para voltar ao que era. É essa a minha maneira de ser, o meu jeito ninja, meio ingenuo, mas sempre puro e verdadeiro.