segunda-feira, 29 de março de 2010

Anaquim


"Gosto tanto deste país, só não entendo o que o faz feliz.
Se é rir da miséria de outros quando a vemos, ou chorar da nossa própria, quando a temos..."

Lusíadas - As Vidas dos Outros - Anaquim

Porque por vezes conseguimos ser um povo mais pequeno do que na realidade poderíamos ser, com hábitos grosseiros, primitivos e mesquinhos, José Rebola e seus partners lembraram-se de criar um duende bastante irreverente que salta de lugar em lugar com as suas molas nos pés: Anaquim, de mente aberta, ouvido e olhar apurados, que narra pequenas histórias acerca das nossas manhas, manias e vícios, tão típicos de um povo que parece ter ficado agarrado aos valores do passado.
É então que, numa "salada" bem mediterrânica de sons e timbres - que pode ir das cordas de guitarra ao compasso de uma bola de ping-pong a bater na raquete, bem como de um carrinho de corda daqueles que não têm corda, mas que, puxando para trás, depois anda para a frente e produz um som que todos conhecemos -, nasce o álbum "As vidas dos Outros".

N"As vidas dos Outros", também título da já famosa canção que não deixou niguém indiferente, a mensagem é clara e muito bem transmitida, com humor, ironia e sarcasmo, que nos fazem pensar e reflectir sobre o que pensamos, somos e fazemos. A linguagem da banda é facilmente entendida por qualquer faixa etária, daí que o Anaquim pode ser escutado por todos, sem problema, e deixando sempre a boa disposição no ar e a sugestão de sermos um pouco melhores a cada dia que passa.

E ao vivo ainda soa melhor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vontade > Força


A linha imagnária do Equador mede aproximadamente 40075 km.
As dez montanhas mais altas da Terra, somam 81.766 km de altura.
Da Terra à Lua vão 384405 km.
A dimensão do Universo...? No one knows.

A questão é que, pessoalmente, não quero saber de distâncias.
Porque estejas onde estiveres, percorro o que for necessário para chegar ao pé de ti.

E descalço.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Life's a bitch and then You...

Relação directa, idade sobe e felici-desce.
Neologismos recrutados numa falsa licenciatura.
Realidade virtual que devora o ménage-a-trois entre dimensões, que antes vivíamos e que agora observamos, como burros a olhar para palácios. Mas nem os burros pagam para ver...
Trocamos o verde pelo cinzento rato, os ténis pelos sapatos, o fel pelo comodismo - às vezes pela resignação -, e não pára.
Quase tão estúpido como o rumo que tomamos, é o conformismo que se vai entranhando, tal e qual doença genética. E só vale alguma coisa quando traduzido em palavras sujas que inundam esta lixeira.
Nascido em tempo errado, sem luz para dúvida. Não há vida marcada pelo quase viver, pelo quase ter. Não é assim. O que parece mais fácil agora, é só uma aparente solução para um problema que não devia existir. Mas não é para desistir.

Life's a bith and then You die?! Não, não. Life's a bitch and then You fight.

terça-feira, 16 de março de 2010

Porrtuguise vendedator. Ou você acha que nã?


Num país onde é impossível explicar que "Você" só é boa educação no Brasil, deve tratar-se mal as pessoas. Seja mal-criado, minta, omita, prometa, intruje, interrompa, cuspa para o chão.
Afinal de contas estamos em Portugal! A educação com que lidamos actualmente é esta. É melhor aproveitar antes que as gerações mais jovens se imponham e as coisas mudem.
Tudo porque dizer a verdade só castiga, confunde, e parece mentira. Confiante e mentiroso. O vendedor ideal.

Importante: Saber distinguir quem é digno do luxuoso tratamento.

terça-feira, 9 de março de 2010

Carrego-te no corpo, meu bom amigo Fernando.


"A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."

O Livro do Desassossego - Bernardo Soares
(A.K.A Fernando Pessoa).

A designação que me deram por direito, processo de escolha no qual, obviamente, jamais poderia participar, demonstra uma certa tendência para o determinismo.

Duas escolhas: Seguir conscientemente optimista.
Seguir inconscientemente decadente, e esperar que o coração não pense em começar a pensar.

Liberdade de escolha ou escolher obrigatoriamente?
O desassossego de ser forçado a escolher.

sábado, 6 de março de 2010

When The Sun Goes Down, there You are.

Tenho uma amiga traiçoeira e sem escrupulos. Tão depressa me deixa avançar e me pisca o olho, como me atira um balde de água fria e me traça as pernas, me faz caír, teimando em não me deixar levantar.
Por muito boa que me pareça ou por mais péssima que seja a minha caminhada, tu estás comigo.
Não sei como consegues, sob todos os pontos de vista. Quer por tudo o resto, quer por mim.
Só sei, e disso estou tão certo como hoje ser o centésimo dia chuvoso consecutivo, como estar sentado num lounge bar todo sofisticado, com uma chávena de café mal bebida à minha frente, que sou um ser vivo iluminado pela sorte que contraria a Vida. Um dos seres mais iluminados de todos os seres vivos.
Porque se essa amiga, a Vida, não me atesta o balão de vontade, se me pesa aos ombros e me trata mal, ao menos apareceste no meu caminho acidentado, para me amares e orientares contra a força das marés e lutas diárias, muitas vezes em vão.

Para ti vale a pena viver e tentar ser feliz. E por ti vou tentando. Graças a ti vou sendo.

Dás-me o Norte e o Sul. E eu estendo-te os braços de Este a Oeste.

terça-feira, 2 de março de 2010

Sem te olhar nos olhos, a alma te vejo.

Com os pés na areia, perto dos teus, olho-te inicialmente e avalio-te quase que de forma instantânea: Pareces assim. Cheiras assim. Soas a tal. Lembras-me quem...

Tudo um pré-conceito. Ou tudo, conhecendo-te de fora para dentro.

Com a cabeça no ar e os olhos aqui, avalio-te lentamente.
És única. Muito parecida comigo. Estás sempre a pensar. Sempre a inventar, no teu mundo quase intransponível, ao teu estilo bem vincado e exclusivo. Inspiras-me.

Por isso digo que ao ver-te, me pareces brilhante.
Por isso penso que ao "ler-te", de dentro para fora, és sem dúvida perfeita.

Os olhos são o espelho da alma.

Mas não preciso de os ver para ter noção de que, o que aqui vais depositando, são verdadeiros e puros pedaços de ti.

Sem te olhar nos olhos, a alma te vejo. É linda.

(Tributo especial de uma pessoa especial para uma pessoa especial)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tão perto e tão longe.


Odeio e adoro este ciclo que me apresentaste.

Odeio porque me obrigaste a entrar e a permanecer nele, de minha livre vontade, praticamente só, até roçar o degredo do vício de escrever por e para ti.

Adoro porque é para ti.

E nestas páginas pouco reais, o que tenho, o que me dás, é tudo o que necessito para continuar quente e consciente. Longe, mas perto.

Queixo-me sem me queixar, neste egoísmo insasiável e injustificado de te querer, sabendo que afinal já não me falta nada.

Ainda desejo um outro favorável acaso entre tempo e espaço, que nos permita.

Anseio pela tua resposta. Pelas tuas palavras. Pela maneira com que as apresentarás.

Paradoxo emotivo.