A partir de hoje vou limitar-me ao percurso casa-trabalho-casa. Se não tiver trabalho vou limitar-me a ficar em casa. Vou deixar de saír. Vou deixar de ter carro. Vou deixar de ter tv, pc e Internet. Vou deixar de dar presentes nos aniversários e no Natal. Vou ficar à luz de velas. Vou tomar banho à fonte. Vou deixar de descontar para a segurança social, porque ou trabalharei precariamente até ...morrer e a reforma deixa de existir, ou porque, se estiver doente e para morrer, morrerei à espera do serviço nacional de saúde. Vou guardar o pouco que tenho para poder ter um psicólogo que me acompanhe e que me ajude a perceber porque é que a vida se reduziu ao trabalho ou à falta dele e ao sacríficio constante para pagar uma dívida que não contraí, porque é que a vida deixou de ser uma oportunidade para ser feliz. Quando era puto, imaginava que trabalharia para os meus objectivos, para ter uma família e uma casa simpática. Trabalharia para viver e não ao contrário. E que me sobraria algum dinheiro ao fim do mês para que durante 15 dias por ano pudesse ter umas férias dignas. Afinal o que sobra é mês ao fim do dinheiro, e férias parece ser cada vez mais um conceito em vias de extinção, uma palavra que vai deixar de existir em "novilíngua". Por isso, quanto mais a par eu estou de toda esta situação, mais me pergunto "Existe optimismo e esperança a longo prazo?" Gostava que houvesse uma pequena luz que me fizesse acreditar que continua a haver razão para levantar da cama de manhã e acreditar que os meus desejos de puto ainda podem ser possíveis. "Bom fim-de-semana minha gente!"
sábado, 15 de outubro de 2011
A partir de hoje.
A partir de hoje vou limitar-me ao percurso casa-trabalho-casa. Se não tiver trabalho vou limitar-me a ficar em casa. Vou deixar de saír. Vou deixar de ter carro. Vou deixar de ter tv, pc e Internet. Vou deixar de dar presentes nos aniversários e no Natal. Vou ficar à luz de velas. Vou tomar banho à fonte. Vou deixar de descontar para a segurança social, porque ou trabalharei precariamente até ...morrer e a reforma deixa de existir, ou porque, se estiver doente e para morrer, morrerei à espera do serviço nacional de saúde. Vou guardar o pouco que tenho para poder ter um psicólogo que me acompanhe e que me ajude a perceber porque é que a vida se reduziu ao trabalho ou à falta dele e ao sacríficio constante para pagar uma dívida que não contraí, porque é que a vida deixou de ser uma oportunidade para ser feliz. Quando era puto, imaginava que trabalharia para os meus objectivos, para ter uma família e uma casa simpática. Trabalharia para viver e não ao contrário. E que me sobraria algum dinheiro ao fim do mês para que durante 15 dias por ano pudesse ter umas férias dignas. Afinal o que sobra é mês ao fim do dinheiro, e férias parece ser cada vez mais um conceito em vias de extinção, uma palavra que vai deixar de existir em "novilíngua". Por isso, quanto mais a par eu estou de toda esta situação, mais me pergunto "Existe optimismo e esperança a longo prazo?" Gostava que houvesse uma pequena luz que me fizesse acreditar que continua a haver razão para levantar da cama de manhã e acreditar que os meus desejos de puto ainda podem ser possíveis. "Bom fim-de-semana minha gente!"
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