
Abro o meu livro, e desfolheio até à primeira página em branco.
Tiro a tampa da caneta e volto a escrever.
Escrevo canções, solidões, amores e paixões, num mundo criado e recriado das minhas ilusões.
Esse universo é belo, perfeito, intocável e imaculado. O desgosto é criado e desenvolvido, para que a solução termine sempre nos teus lábios. Há que passar mal para sentir deveras o que é bom de sentir.
Termina outro romance. Despeço-me de ti e de mim, personagens fictícias, com carinho e com pena.
Coloco a tampa na caneta e fecho o meu livro, que estará sempre por concluir.
Nesse pequeno abrigo se encontra a verdadeira terra do "querer é poder".
Depois de a encerrar mais uma vez, nem tudo o que se quer se pode ter. Nem tudo o que se quer convém ter.
Volto para a vida de corpo, deixando a alma nesse lugar onde, realmente, sou feliz.
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