A mulher canta feliz enquanto lava a roupa no rio, sem ter noção do limite quase ilimitado que não adivinha nem chega a palpar. O que se vai passando no horizonte é-lhe alheio.
Aquele momento é o seu, o que lhe deixa o aconchego da paz. E nada mais importa.
Dizem que a ignorância traz felicidade a quem a possuí. E que a sabedoria funciona de forma inversa.
Mas pelo caminho, fui-me apercebendo de que talvez não seja a sabedoria e o conhecimento que nos roubam a paz de espírito. Ou pelo menos só por si.
É a consciência.
O saber vai-se sabendo. Mas a consciência sente-se. E quando se sente é de rajada e por momentos não nos deixa respirar.
Quem me dera fazer tudo o que sei e tudo o que quero, sem a consciência me pesar.
Mas não.
Porque assim fujo de qualquer momento que se possa converter em dor de consciência, pois ela instalar-se-ia de imediato, sugando todo o doce sabor que aquele momento, que não chega a existir, deveria ter tido.
E o Saber de tudo isto transcreve-se na fórmula do caos da alma:
Consciência + Saber = Frustração de não fazer.
fotografia de Bruno Espadana
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