
Há dias em que me sinto tão vazio...
Que não sinto rigorosamente nada.
Só me consigo imaginar como estando num estado vegetativo profundo, numa imagem em que me vejo a mim próprio, sentado ao canto, com uma expressão sem qualquer traço de sentimento, sem qualquer brilho nos olhos.
Pouco a pouco foram-me tirando a vontade, foram-me tirando a ambição, a esperança, o medo, o amor, o ódio.
Fiquei agarrado ao corpo só para me ficar a observar morto, sem conseguir rir e sem conseguir chorar.
Há dias que se não existissem, para mim seria igual.
(Memória 1,87 - instalação de Ricardo Fonseca, in Primavera, Torres Vedras, 2012)
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