domingo, 19 de fevereiro de 2012

Memória 1,87


Há dias em que me sinto tão vazio...
Que não sinto rigorosamente nada.
Só me consigo imaginar como estando num estado vegetativo profundo, numa imagem em que me vejo a mim próprio, sentado ao canto, com uma expressão sem qualquer traço de sentimento, sem qualquer brilho nos olhos.
Pouco a pouco foram-me tirando a vontade, foram-me tirando a ambição, a esperança, o medo, o amor, o ódio.
Fiquei agarrado ao corpo só para me ficar a observar morto, sem conseguir rir e sem conseguir chorar.
Há dias que se não existissem, para mim seria igual.

(Memória 1,87 - instalação de Ricardo Fonseca, in Primavera, Torres Vedras, 2012)

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