Tirem-me tudo.
Tirem-me os dias de Sol que adoro.
Tirem-me as noites loucas e enevoadas em álcool barato.
Tirem-me os cigarros que me acompanham em todas as jornadas.
Tirem-me este espírito melancólico que me ajuda a escrever tralha invisível.
Tirem-me o trabalho, que tanta falta faz.
Tirem-me o mar e a areia que me ressuscitam.
Tirem-me os sonhos que me desencaminham por terras que não são as minhas.
Tirem-me os personagens que me remexem a ideia.
Tirem-me os fantasmas desses mesmos personagens.
Tirem-me tudo.
Mas não me tirem a liberdade.
Tomei a liberdade de te escolher.
E preciso de ti, mesmo que me tirem tudo.
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