Tenho uma amiga traiçoeira e sem escrupulos. Tão depressa me deixa avançar e me pisca o olho, como me atira um balde de água fria e me traça as pernas, me faz caír, teimando em não me deixar levantar.
Por muito boa que me pareça ou por mais péssima que seja a minha caminhada, tu estás comigo.
Não sei como consegues, sob todos os pontos de vista. Quer por tudo o resto, quer por mim.
Só sei, e disso estou tão certo como hoje ser o centésimo dia chuvoso consecutivo, como estar sentado num lounge bar todo sofisticado, com uma chávena de café mal bebida à minha frente, que sou um ser vivo iluminado pela sorte que contraria a Vida. Um dos seres mais iluminados de todos os seres vivos.
Porque se essa amiga, a Vida, não me atesta o balão de vontade, se me pesa aos ombros e me trata mal, ao menos apareceste no meu caminho acidentado, para me amares e orientares contra a força das marés e lutas diárias, muitas vezes em vão.
Para ti vale a pena viver e tentar ser feliz. E por ti vou tentando. Graças a ti vou sendo.
Dás-me o Norte e o Sul. E eu estendo-te os braços de Este a Oeste.
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