sábado, 10 de junho de 2017

Um cão morde. Um cão protege. Um cão é enérgico. Um cão é leal. Um cão é afectuoso. Mas Um cão açaimado não morde. Um cão acorrentado não protege. Um cão que não brinca não é enérgico. Um cão abandonado não é leal. Um cão maltratado não é afectuoso. Os cães têm personalidades muito fortes, mas são sempre o que os donos fazem deles. E todos os cães precisam de se sentir parte da família e amados. Se adoptar um cão, primeiro certifique-se de que realmente o quer e tem condições para o ter. Depois, então, experimente com as pessoas.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Fixo-me nos teus defeitos e adoro-os. Só porque, se não o fizer, toda essa ideia de perfeição me assusta, me diminui, me leva. É perfeito sermos imperfeitos.

sábado, 3 de setembro de 2016

O teu lugar.

O bom humor, tal como o mau, pode ser letal. Arrancar um sorriso pode trazer enraizado uma granada de estilhaço que te cai nas mãos e cola. Rebenta contigo. Por dentro. Do riso às lágrimas numa fração de segundo sem saberes ler nem escrever. Envolveste-te, quiseste ser engraçado, agora arcas com as consequências. Morte interior. Estupidificação. Rancor. Extremo. Antes tivesses caído em graça. O mal de querer estar sempre bem. E de fazer quem te rodeia sentir o mesmo. Às vezes deixá -los estar pode ser o melhor a fazer. Fica na tua. Pensa individual, mas age colectivo. Perde esse senso de patetice, esse sorriso idiota. Vai ao fundo e renasce sem esperança. Mantém a fasquia baixa, protege-te. Ouve mais e fala menos. Procura o teu espaço. E sente-te só. Porque no teu espaço terás sempre tempo para a tua alma gemea. O que não significa que ela queira lá estar. Aguenta a dor e sorri-lhe. Pateticamente. Retribui sempre com um sorriso. Idiota. E a esperança não te abandona, enquanto respirares... aprendes. E enquanto aprendes, estás vivo.

sábado, 13 de agosto de 2016

Estes dias. Este mundo.

Por imenso tempo pensei que fosse eu. Tomara eu mais atenção ao que me rodeia. A quem me rodeia. O que há de errado com as pessoas? Os animais parecem ter mais traços de amabilidade e respeito do que as pessoas. São mais "humanos" que nós. Torná-mos-nos cínicos, exageradamente objectivos. Esquecemos os ideais, só vemos metas, passamos por cima de todos para alcança-las. Tratamos mal os nossos iguais, à priori. Pois tomamos como principio que também seremos mal tratados. O que é feito dos nossos valores, da ética? Pessoas que estão tão habituadas ao ódio e à hipocrisia que já só se sentem confortáveis, e gostam!, nesse turbilhão de emoções negativas, ao ponto de estranharem e rejeitarem um tratamento digno, respeituoso, afectuoso por parte de outro igual. E a ausência de sentimentos, que se vulgarizou, dando lugar a meras manifestações físicas, desinteressadas, demonstradas com a formalidade e a banalidade de quem pede um café e um cigarro num dia rotineiro no tasco da esquina. O mau e o agressivo tornaram-se norma quando? Quando perdemos nós a capacidade de amar e confiar e de o demonstrar a quem amamos? Sei que não estou sozinho neste plano de visualização. Mas, foda-se, sinto-me em extinção. Um pescador num mar de águas ácidas, a tentar colher emoções, frequências recíprocas, e somente a perder anzóis num fundo negro que só consegue morder linhas e guardá-las para sempre nas suas profundezas, devolvendo apenas o silêncio do rancor. Não desisto. Continuarei a dar. A aer desta forma. Pois o defeito não é meu. Eu só estou num mundo que já não conheço e lutarei para voltar ao que era. É essa a minha maneira de ser, o meu jeito ninja, meio ingenuo, mas sempre puro e verdadeiro.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Tu aí, eu aqui.

Ainda não tinha escrito nada desde que partiste à aventura. Não tem sido fácil está guerra entre o que sinto e o que penso. Gosto de te saber feliz, livre, nesse pedaço de tempo e de espaço que merecias ter mais vezes. Como são lindas as paisagens que me tens mostrado, os costumes de que me tens falado, as pessoas com quem tens estado. Como és linda, tu. Aí, feliz, dona de ti. E como tenho pena e me entristece, no meu lado ofuscado pelo egoísmo e pela falta de te ter, não estar aí contigo. Não queria apenas ver o que vês, sentir o que sentes, experimentar todas essas vivências únicas e irrepetíveis. Queria vê-las, senti-las, experiencia-las contigo. Conhecer esse sorriso que adoro a míseros centímetros dele, ao ver-te passar por tudo isso, aí, ao teu lado. Espero que venhamos a ter muitos episódios assim, ocupados a testar o mundo um do outro, de ninguém, um com o outro, com nós próprios. E deixar eu de sentir esta ganância de não saber, nem querer, estar longe de ti. Que desfrutes vivamente. Que não deixes nada por fazer. Mas que não esqueças que estamos cá, ansiosamente a aguardar o teu regresso. Foda-se, ainda estou para saber que feitiço me largaste tu para dar comigo a escrever palavras lamechas neste blog que ninguém lê. Não quero saber. Amo-te. Sinto a tua falta. Volta.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Palavras. Refugio-me nelas. Tiro-as da ideia. Da confortável ideia que, sendo minha, é, para mim, perfeita. É o meu mundo. Intocável, injustificável, inconsequente. Sou uma alma dividida em milhentos personagens criados. Uns bons, outros maus, outros que nem expressão têm que justifique adjectivar, estão lá só para encher. E porquê o meu mundo? Porque é o unico lugar em que sou compreendido, em que me compreendes, em que somos equivalentes. E nele eu preencho-te e tu a mim. Coexistimos na perfeição. Não os dois, mas os três. Mas esse mundo é perfeito de mais. Torna-se fácil, enganador, aborrecido, não é real. Real é a imperfeição, são os momentos em que vos faço felizes, as alturas em que fico na aventura da incerteza de que me queres mas não me desejas, saber que tenho os pés no chão e que sofrer contigo também está incluído e faço-o sem olhar atrás. Quero-vos tanto que faz tempo que não penso em mim. Perdi-me em vós. Perdi a voz. E não quero isso de volta porque só me encontro convosco e a nossa voz repartida é tão mais bela... Não quero o meu mundo intacto. Quero o nosso mundo partido. E quero que queiram também. Quero que me queiras, principalmente. Nada tem sentido sem essa parte de mim. E que eu morra se me privarem de ti e de ti. Afinal é isso que eu amo. A família, vocês. Sou por ti. E por ti. Amores de dimensão diferente, de intensidade igual. Obrigado. Por tudo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

E nada.

Coloco-te em primeiro lugar, venero-te, amo-te dessa forma que só tu conheces e estranhas, amo o que tens, de ontem, de hoje de amanhã, de vivo e sem vida. Crio laços com tudo isso. Dou de mim. Tudo. O que tenho e não tenho. No teu sorriso os meus problemas desaparecem, nos teus braços sinto-me teu, sinto-nos nossos, sinto-te completa. Mas estás quebrada. E não conheço forma alguma de te recuperar, por muito que já tenha explorado possíveis soluções, fica sempre aquém, é sempre um tiro ao lado. De ti só vem nada. E eu também cá estou mas não parece.